Entre 2003 e 2009 o número de evangélicos que não possui vínculo com igrejas subiu de 4% para 14%. Esse dado faz parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares, feita pelo IBGE, divulgada em julho desse ano.
Segundo interpretações de especialistas consultados pela Folha de S.Paulo, em reportagem divulgada essa semana, não estar vinculado a uma denominação pode representar um processo similar ao dos chamados “católicos não praticantes”.
É verdade que Deus não habita em templos, o que se confirma até mesmo no Antigo Testamento, quando ainda não se conhecia a graça:
“5 Porque em casa nenhuma habitei, desde Israel até ao dia de hoje; mas tenho andado de tenda em tenda, de tabernáculo em tabernáculo.”
1 Cr 17:5
Em um período em que a graça já havia chegado ao mundo, Estevão, perante ao Sinédrio, discursa ao sacerdote:
“47 Mas foi Salomão quem lhe edificou a casa.
48 Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta:
49 O céu é meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?
50 Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas?”
Atos 7:47-50
Mas além de uma informação importante sobre as religiões no Brasil, não estar ligado a uma instituição que fala sobre o Evangelho pode ser perigoso. Abandonar a comunhão e as oportunidades regulares de ouvir a Palavra abre uma porta para a má interpretação da palavra “graça”.
E o que ela é? É favor não merecido. A graça é a redenção daquele que peca e se arrepende sinceramente. É o acesso do homem, pela fé em Cristo, à salvação e à vida eterna.
Estar debaixo da graça e obter a liberdade de Cristo não é andar segundo ideologias pessoais e interpretações bíblicas individuais, ou seguir um estilo de vida que custe sacrificar o Texto para encaixá-lo ao que se deseja viver. Isso é individualismo, é humanismo, ou até uma nova crença, mas não é graça.
A falta de entendimento a respeito dessa liberdade tem feito muita gente perder-se no caminho. Ao falar de fé, Paulo ensina Timóteo a fortificar-se na graça e a combater “o bom combate”:
“Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas.”
2 Timóteo 2:5
Para o apóstolo, “ganhar a corrida” cristã exigia sacrifício pessoal, conversão:
“1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?
2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?
4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos em novidade de vida.
5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressureição.
6 Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”
11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.”
Romanos 6:1-2; 4-6; 11; 14
É dever do cristão, que frequenta ou não a casa que muitos chamam “casa de Deus”, cuidar do lar no qual Cristo habita: ele mesmo. Afinal, seria possível edificar algo apropriado para habitação divina? O que se faria (ou se faz)? Grandes colunas? Um alto pé direito? Ouro nas paredes? Pinturas? Se a salvação vem pela graça, pela fé em Jesus, justamente para que ninguém se glorie pelas obras, não é competência do homem erguer com pedras ou tijolos um edifício nas proporções de Deus.
Ao que crê em Jesus cabe a dedicação para a construção diária de si mesmo. Uma morada que precisa ser constantemente limpa para que o Espírito Santo possa habitar, e reformada depois de anos de uso. Um lar que tem janelas que necessitam ser esfregadas constantemente para que se visualize o exterior, para que se note o próximo. O cristão praticante destrói a cada dia um pouco do seu eu, da velha casa, e vive assim a liberdade em Cristo.
Por Adriana Amorim
A canção abaixo pode ajudar nessa obra:
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