
Queria abordar hoje dois assuntos referentes à obra de Ton Carfi, não só para quem toca, compõe e vive da música, mas para qualquer um que aprecia boa música. Acho que isso é unanimidade dentre os cristãos (pelo menos deveria ser, já que adorar ao Senhor é nossa eterna vocação e a música é uma das mais belas ferramentas para tal).
Definitivamente, música não possui uma receita secreta que irá agradar a gregos e troianos e também não há uma regulamentação ferrenha sobre o que, como, quando, porque, pra quem, a não ser o bom senso. Tanto de quem compõe quanto o de quem aprecia! Mas no assunto hoje, não quero me prender a ritmos ou estilo e sim a letra, a mensagem que é propagada...
Tudo tem a sua aplicação e momento oportuno, e cabe aos compositores entender isso para evitar tragédias.
Imagine o quão desagradável seria ouvir um RAP com uma letra do tipo;
“Senhor, venho a ti mui respeitosamente, clamar por tua infinita misericórdia que me tem sustentado desde os dias da minha mocidade...” Inviável não é mesmo?!
Agora imagine a Soraya Moraes cantando algo do tipo;
“Ae trutão, cola cum nóis que hoje vai ter culto, louvai ao Deus , vem comigo, tamu juntu...” Imagino as irmãzinhas clamando por misericórdia!!!
Temos que saber que tipo de linguagem é a ideal para passar a mensagem, não que haja o certo e errado, mas há sempre o coerente!
E isso é algo que podemos aprender com o Ton.
Tanto na linguagem poética usada em canções como “Cristo Vive em Mim” e “Abram alas” até a simplicidade de “ide”, “Jericó caiu” e “canção para Carla”, onde o sentimento colocado sobre as palavras dão vida a mensagem, sempre há bom senso na escolha.
Outra coisa que chama atenção nas canções compostas e/ou interpretadas pelo Ton é o fato de em sua maioria serem cristocentricas. Vejo alguns críticos que execram os cantores que cantam coisas muito pessoais, tais como “meu milagre”, “minha benção”, não tiro a razão deles no que dizem, embora ache que muitos criticam cantores de nome apenas pra ganhar um lugarzinho ao sol e nem sempre pra edificar (acho que a maioria das vezes rsrs).
Deixo aqui uma análise verso a verso de um exemplo eficaz de simplicidade e cristologia em forma de canção. Espero que você goste.
Ide, fala a respeito da mais importante ordenança do mestre Jesus e arremete o ouvinte aos passos seguidos pelos apóstolos. Vejamos...
Ide (MC 16:15), pregue (2 Tim 4:2), vigiai e orai (MC 13:33)
Se não vigia não (1 PE 5:8), você que não pregue não (MC 13:10)
Se que não ore não (CL 4:2)
Pois o dia do Senhor está por vir (MT 24:37)
Ele vai te cobrar o talento que te deu
Se você multiplicou ou será que enterrou (MT 25)
Vou pregando evangelho da paz (EF 6:15, IS 52:7)
O amor de Deus (João 3:16)
Pois ele é santo, puro, digno e verdadeiro (precisa de referência?)
Me deu nova vida (2 Cor 5:17)
Um arquiteto muito famoso, chamado Mies Van der Rohe defendia que “Menos é mais”. Eu prefiro não ser radical, acho que o radicalismo só é bom em relação ao pecado... a ele a resposta deve ser SEMPRE não... Mas ser claro e sucinto é uma ótima forma de ser compreendido. Neste caso menos foi o suficiente!
Espero que esta simples análise edifique a você como edificou a mim.
Bjo no coração.
Por Henrique Damasceno Barros




